O ex-ministro Ciro
Gomes não para de se envolver em polêmicas. No sábado (19), concedeu entrevista
ao jornal carioca O Dia onde atacou pessoalmente ao senador Tasso Jereissati e
seu partido o PSDB. Sem poupar agressões, Ciro disparou: " o impeachment é
um golpe e ele agora ganhou muito mais qualidade protocolar, formal, fica muito
mais fácil esconder que ele é um golpe de um grupo de cleptocratas, um
sindicato dos ladrões."
Para
quem tem dúvidas que a baixaria de Ciro é dirigida ao senador cearense Tasso
Jereissati, que o criou na política, a entrevista dada ao O Dia é transparente
e reveladora: o sindicato dos ladrões- agora uma coalizão do PMDB/PSDB foi
apalavrado num jantar, pelos cleptocratas do Brasil.
Ciro
por não querer assumir sua traição pública novamente com Tasso, não disse que
esse jantar ocorreu no apartamento do senador cearense dias atrás e objetiva
encontrar diferente do que diz Ciro uma solução democrática e transparente para
crise, não dando margem à falso salvador da pátria, que anda sem equilíbrio
emocional.
A
assessoria de Tasso Jereissati e do vice-presidente Michel Temer ainda não se
manifestaram. Nessa entrevista, Ciro ainda atacou Lula: " foi um erro
nomear o ex-presidente para a Casa Civil do Governo Dilma".
Leia a íntegra da entrevista ao jornal O Dia:
Ciro Gomes solta o verbo: 'Foi um erro
nomear Lula'
Ex-ministro diz que que a coalização
formada entre o PMDB e o PSDB para derrubar Dilma é um 'sindicato de ladrões'
O DIA
Rio - “Por que não vai no jatinho
do Lula?” A pergunta foi ouvida pelo ex-ministro Ciro Gomes, do PDT, nesta
sexta-feira no voo entre Fortaleza e o Rio. “Foi a primeira vez que isso
aconteceu”, diz Ciro, que na madrugada de quarta-feira protagonizou um bate-boca,
com direito a empurrões e gritos, com militantes anti-Dilma Rousseff na capital
cearense. Conhecido pelo gênio explosivo e sem papas na língua, o ex-ministro
do governo Lula aciona sua metralhadora giratória: diz que o vice Michel Temer
é “chefe da facção”, e que Eduardo Cunha “encheu a mão de dinheiro sujo
roubando no governo Lula e um pedaço no governo Dilma”. Afirma que a
formada entre o PMDB e o PSDB para aprovar o impeachment da presidente é
um “sindicato de ladrões”. Pré-candidato à presidência em 2018, Ciro não poupa
seu provável principal adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a
quem chama de “nouveau riche”.
O DIA: A
nomeação do ex-presidente Lula vai ajudar a presidente Dilma a se safar do
impeachment?
Ciro: Esse é o maior erro da história da
República, desde que eu milito na luta política há 30 anos. O Lula não é réu de
coisa nenhuma e o fato de ele ser ministro não impede, não inibe a franquia que
a Justiça tem de investigar. Isto dito, repito: esta é a pior ideia que eu já
vi na minha existência na vida pública.
Por que?
Porque ainda que não seja, parecerá um
constrangimento absolutamente gravoso ao Supremo Tribunal Federal. Ainda que
não seja, parecerá que o Lula estava querendo fugir de um juiz ‘severo’ (entre
aspas, frisa Ciro) para presumindo impunidade se abrigar na jurisdição do
Supremo. Tudo isso foi agravado pelas gravações divulgadas. E o Supremo tem se
comportado muito bem, salvo um ou outro ministro. Não vamos esquecer que o
Tribunal prendeu a cúpula do PT inteira.
Mas o
Lula agora foi nomeado ministro
Ele vem para fazer o que no governo? Dizer que a
presidente não tem autoridade? Ele vinha fazendo isso há muito tempo. Eu já
tinha censurado isso publicamente muitas vezes. Agora, ele vem para o governo
como interventor? O que restou da autoridade da presidente da República?
A ideia é
que o Lula negocie com o Congresso, em especial o PMDB, a derrubada do
impeachment da presidente na Câmara
Esse é o erro ancestral, um erro orgânico (aliança
com o PMDB). O vice Michel Temer já se recusou a receber o Lula. Diz que só
recebe ele no gabinete. Quem está comandando o impeachment na Câmara? Quem
impôs essa velocidade frenética ao processo? Quem tem influência central sobre
o presidente e o relator da comissão de impeachment? É o PMDB; é o Eduardo
Cunha. Não dá para fazer discurso de seriedade, de moralidade, de decência,
como a Dilma tinha direito de fazer até essa nomeação do Lula, assentado na
esculhambação, na repartição fisiológica. Ou o Lula não sabia que o Eduardo Cunha
roubava em Furnas? Sabia. Eu disse. Por que o Eduardo Cunha vira presidente da
Câmara? Porque encheu a mão de dinheiro sujo roubando no governo Lula e um
pedaço no governo Dilma com a vice-presidência da Caixa. Rouba R$ 1 bilhão,
bota 300 mil no bolso e divide o resto com os colegas . E aí dá as cartas.
O Aécio
também roubou em Furnas?
Não tenho
elemento, nenhuma prova.
Na sua
avaliação o processo de impeachment vai andar mais rápido agora com o Lula na
Casa Civil?
Antes não havia consenso contra ou a favor do
impeachment. Esse consenso ainda não existe, mas agora deu muitos passos
acelerados para o consenso. O que eu tenho a ver com os problemas do Lula? O
que eu tenho a ver se o Lula resolveu virar ‘nouveau riche’ e se dá às
franquias da burguesia num sítio e num tríplex? O que eu tenho a ver com isso?
Ele tem o direito de ser respeitado como inocente. O juiz errou quando fez
condução coercitiva dele para depor. Esse vazamento todo das gravações é uma
violência fascista, todo fora do Direito. Mas o que eu, Ciro Gomes, tenho a ver
com a vocação do Lula para virar Deus? Não tenho nada a ver com isso. A
nomeação do Lula agravou o problema dramaticamente. Nós estamos na iminência de
uma cleptocracia (estado governado por ladrões) se instalar no Brasil.
O senhor
foi ministro do governo Lula e agora, com o retorno dele ao Palácio do
Planalto, seu nome voltou a ser cogitado para ser ministro da Educação. A
presidente Dilma ou alguém do Planalto o convidou para entrar no governo?
Todas as sondagens que recebi, se foram verdadeiras
ou não, não posso afirmar, eu respondi categoricamente: isso é o maior erro que
se cometeu na história moderna brasileira. Em nenhuma hipótese, eu participo de
um governo que tem como o vice-presidente um chefe de facção, como Michel Temer,
aliado íntimo do Eduardo Cunha. Em nenhuma hipótese, eu participaria desse
governo.
O senhor
está no PDT um partido que, em sua maioria, é contra o impeachment da
presidente Dilma
Acho que
o impeachment é um golpe e ele agora ganhou muito mais qualidade protocolar,
formal, fica muito mais fácil esconder que ele é um golpe de um grupo de
cleptocratas, um sindicato dos ladrões.
Quem é
desse sindicato de ladrões?
O sindicato de ladrões agora é uma coalizão
PMDB/PSDB, acertada em jantares em Brasília. Com detalhes de como vão repartir
o governo, como o Michel Temer tem que assumir anunciando que não é candidato à
reeleição. Como vão desarmar a bomba da Lava Jato, porque começou a sair do
controle. Porque os políticos começaram a ver que pode sobrar para o lado
deles. Isso é o que tá apalavrado, num jantar em Brasília, pelos cleptocratas
do Brasil.
O senhor
será candidato à presidência em 2018?
Não sei se eu vou ser candidato. Mas não me
interessa servir um país que, para você ser presidente, tem que fazer o que o
Lula fez: vender a alma, beijar a cruz, se cercar de bandidos. Não quero. Se
for para ser candidato, vai ser com um conjunto de princípios. Neste momento, ainda
estou gravemente aborrecido com o que eu estou assistindo acontecer. Ainda
estou convencido que o impeachment é uma tragédia contra a democracia
brasileira. A corrupção tem que ser intransigentemente combatida. Quem quer que
seja, tem que dar satisfações à lei e à Justiça. Quero que se exploda quem
meteu a mão na cumbuca. Agora, é o Michel Temer que vai moralizar o país? É o
Eduardo Cunha que vai moralizar o país? O PMDB tem sete ministros no governo da
Dilma. A melhor coisa que a gente tem é ter eleito o Picciani (Leonardo
Picciani, líder do PMDB)? Eu não tô nessa turma. Eu sou obrigado a ficar desse
lado, mas não me confundo. Não dá para ficar nessa turma. Não vou para uma
reunião que planeja uma ação contra o impeachment com esse tipo de gente. Não tem
a menor chance.
Por que?
Porque
quem se mistura com porcos, farelo come.
O
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda pode cassar a chapa Dilma/Temer
Se o TSE cassar a chapa, tem eleições gerais. E aí
vem alguém. Acho que eles estavam com medo da Marina. Por isso, resolveram
restaurar a tese do impeachment. Não estão vendo que é um golpe no país?
Fonte: Ceará News 7.












