Elaine Patricia Cruz - Repórter
da Agência Brasil
A
greve dos professores da rede pública estadual de São Paulo, decretada no dia
13 de março, já dura 92 dias e é a maior da história do Sindicato dos Professores
do Ensino Oficial do Estado (Apeoesp), que representa mais de 180 mil
professores e é considerado o maior da categoria na América Latina. Antes
dessa, a maior greve tinha durado 80 dias, em 1989, segundo o próprio
sindicato.
Na tarde desta sexta-feira (12) uma nova assembleia será
realizada no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para decidir se o
movimento prosseguirá. O governo não apresentou qualquer propostas de reajuste
salarial desde que a greve foi decretada. Os professores reivindicam aumento de
75,33% como equiparação salarial a outras categorias com a mesma formação.
Segundo a presidenta do Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, não é possível
prever o resultado da assembleia, mas ela admitiu à Agência Brasil que há
propostas sendo discutidas pedindo a suspensão da greve.
Desde o início da paralisação, a Secretaria Estadual de
Educação e o sindicato divergem principalmente sobre a data-base da categoria:
para a Apeoesp, ela ocorre em março. Para a secretaria, a data-base só deve ser
discutida a partir de julho.
Até agora, o secretário de Educação, Herman Voorwald,
ofereceu como propostas aos professores a inclusão dos temporários na rede de
atendimento do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual
(Iamspe)) e o aprimoramento da contratação desses docentes. A secretaria
informou que fez oito reuniões com a Apeoesp, em que garantiu que será
formulada uma nova política salarial para os professores a partir de julho, mas
o sindicato reclama que a secretaria não deu valores e sequer a data em que
isso ocorrerá e que não enviou as demais propostas para serem votadas na
Assembleia Legislativa.
“Uma greve nunca é uma escolha fácil para os professores. A
Apeoesp tentou, até o último limite, o caminho da negociação, mas o governo se
manteve intransigente, não apresentou qualquer proposta. Não tivemos outra
alternativa. O fato de ser a mais longa greve não pode ser considerado um
mérito, a não ser no que se refere à resistência e à capacidade de luta dos
professores. Ela demonstra, na verdade, o fracasso do governo estadual, incapaz
de resolver os problemas dos professores e da escola pública estadual”, disse a
presidenta da Apeoesp em entrevista à Agência Brasil.
Apesar de longa e de ainda não ter conseguido conquistar o
seu objetivo principal, que é o reajuste salarial, a greve é considerada válida
pela presidenta do sindicato. “No caso dos professores, a greve representa
também uma reafirmação do compromisso com a qualidade do ensino e com os
direitos dos estudantes. Melhores salários, melhores condições de trabalho, fim
da superlotação das salas de aula, desmembramento das classes superlotadas,
mais recursos para as unidades escolares, que são pontos da nossa pauta, dizem
respeito diretamente à qualidade do ensino. Por isso, essa luta vale a pena,
assim como vale a pena toda luta em defesa da escola pública. Além disso, a
greve é uma forma de dialogar com a sociedade, mostrando a realidade das
escolas públicas”, acrescentou.
Para Maria Izabel, a greve tem sido longa por causa “do
desprezo” do governo. “Nas poucas reuniões que houve – apenas quatro em todo o
período [a secretaria, no entanto, fala em oito reuniões] – propusemos ao
secretário o caminho da mediação, que apontasse um índice de reajuste para
2015, que pudéssemos continuar negociando. Ele nunca aceitou. Para nós, ao não
apresentar nenhuma proposta, o secretário está dizendo que teremos zero de
reajuste, situação que ainda perdura”.
Amparado por uma decisão da Justiça, o governo paulista tem
descontado os dias parados dos grevistas o que, para o sindicato, tem feito
diminuir a adesão à greve nos últimos dias. O governo informa que 98% dos
professores estão dando aula e diz que esta é a menor adesão a uma greve na
história. O sindicato, por sua vez, estima que, desde o ínicio, a greve teve
uma adesão média de 60% dos professores, embora neste momento entre 25% e 30%
ainda estejam paralisados, apesar do desconto dos salários. “Com o corte nos
salários, o cansaço, a dificuldades na negociação, a adesão caiu”, admite a
presidenta do sindicato.
Com a falta de proposta do governo, a Apeoesp decidiu entrar
com um dissídio de greve no Tribunal de Justiça, que ainda não foi julgado. Não
há data estimada para que isso aconteça.
Com tantos dias parados, a secretaria afirma ter colocado 35
mil professores substitutos no lugar dos grevistas para garantir o
funcionamento das escolas. “Ainda assim, em eventual necessidade, o conteúdo
será reposto alinhado ao compromisso prioritário da secretaria com o direito
incontestável que os estudantes têm de aprender”, informou o órgão, em nota. A
secretaria não detalhou à Agência Brasil como a reposição será feita, caso
necessária.
A presidenta do sindicato disse que a reposição ainda será
negociada com o secretário de Educação. “Nossa posição é a de que todos os
professores que participaram da greve possam repor as aulas, oferecendo aos
estudantes os conteúdos a que eles têm direito e também para que recuperem o
que foi descontado. Naturalmente, queremos que isso seja feito da forma mais
racional possível para que não prejudique as férias dos estudantes e
professores. Em outras greves, isso foi possível. Creio o que diálogo pode
produzir essas soluções”, disse ela.
Fonte:
Brasil
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