A Polícia Federal prendeu nesta
quarta-feira 51 pessoas durante a Operação Darknet, de combate à pedofilia, em
18 Estados e no Distrito Federal. Outras quatro haviam sido presas ao longo da
investigação, que começou em Porto Alegre, há cerca de um ano. Pelos menos
cinco países - Portugal, Itália, Colômbia, México e Venezuela - foram avisados
de que há suspeitos de conexões com a mesma rede em seus territórios.
A investigação chegou à chamada Deep
Web, uma área da internet que não é rastreada pelos navegadores comuns, na qual
estão, entre outros, sites de intranet de empresas e corporações. A rede de
pedofilia descoberta aproveitava a possibilidade de exibir e acessar imagens e
trocar informações às escondidas nesse ambiente que também é conhecido como "internet
invisível".
Foi a primeira vez que uma
investigação feita na América Latina chegou à prática de crimes na Deep Web,
algo que só havia ocorrido nos Estados Unidos e Inglaterra. Para isso, a
própria Polícia Federal teve de desenvolver ferramentas adequadas. "Apesar
da triste realidade de encontrarmos tantos abusadores, também é uma conquista
para a sociedade a possibilidade de podermos investigar esses crimes",
comentou a delegada Diana Calazans Mann.
A Polícia Federal não divulgou
informações como nome dos presos, circunstâncias, local e o que se atribui a
cada um. Confirmou apenas que 500 policiais saíram para cumprir 93 mandados de
busca, de prisão e de condução coercitiva no Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará,
Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de
Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São
Paulo, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
A maioria das prisões foi efetuada em
flagrante e entre os presos estão pelo menos um funcionário de uma secretaria
estadual de segurança, um policial militar, um seminarista e empresários.
Policiais que participaram da operação disseram que não há um perfil definido
dos pedófilos, que são de diversas classes sociais e profissões. Em entrevista
coletiva, a delegada Diana Calazanas Mann, o superintendente da Polícia Federal
no Rio Grande do Sul Sandro Caron, o delegado Rafael França e o agente Luiz
Walmocyr demonstraram revolta, mesmo com toda a experiência que têm, porque
entendem que nada pode ser pior do que as crianças sofreram.
Sem entrar em detalhes, os policiais
revelaram que durante a investigação seis crianças foram resgatadas de
situações de abuso ou de iminente estupro. Uma das prisões feita há alguns
meses, em Minas Gerais, foi de um homem que admitiu que iria abusar da filha
logo que ela nascesse. "Quando se fala em produção de pornografia infantil
estamos falando de abuso sexual", destacou Diana. "Não há pornografia
infantil sem abuso, uma criança foi abusada para que se produzisse o material
pornográfico". Entre os abusadores estão pessoas no núcleo familiar das
vítimas. Alguns não se limitam a receber e compartilhar material, mas também
gravam cenas de suas vítimas e distribuem para seus contatos.
Fonte:
UOL.













