A presidente Dilma Rousseff
pretende tirar, até o fim do mês, o Ministério da Integração Nacional do
controle do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e entregá-lo ao PMDB.
O titular da pasta, Fernando Bezerra, é uma indicação de Campos, provável
candidato à Presidência em 2014. A informação é do Estadão.
Tem mais
O mesmo deve acontecer com o
comando de outros cargos federais importantes de segundo e terceiro escalões, como
a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e a Superintendência
do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), hoje chefiadas por integrantes do
PSB aliados do governador pernambucano.
Xô Campos!
A intenção de Dilma é tirar do
governo federal os filiados do PSB que estão alinhados com o projeto
presidencial de Campos, que também é o presidente nacional do partido.
Impediria ainda que ele e seus aliados continuassem a usar os cargos no governo
federal como vitrine eleitoral para suas candidaturas em 2014. Com isso, Campos
seria obrigado a antecipar o anúncio de que será candidato no ano que vem, sem
continuar “faturando” com os acertos da gestão atual. Dilma vai excluir do
governo qualquer pessoa ligada a Campos. Só sobreviverá na máquina federal quem
se alinhar à campanha da petista.
Cid e Ciro
No Planalto, aposta-se em uma
composição com Cid Gomes, governador do Ceará, e seu irmão, Ciro Gomes, ambos
também do PSB, mas não alinhados com o projeto de Campos.
PMDB
Dilma pretende usar as vagas
livres para cimentar a aliança com o PMDB, hoje o principal aliado do governo;
e fortalecer as relações com o grupo político ligado ao presidente do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL). A ideia é tirar o controle do Ministério da
Integração Nacional das mãos de Bezerra e repassar a algum indicado de
Calheiros.
Leônidas e Eunício
Calcula-se, no Planalto, que um
afago agora no PMDB vá minimizar uma polêmica que pode ser criada na disputa
pelo governo do Ceará, na eleição do ano que vem. Cid e Ciro Gomes vão indicar
o ministro da Secretaria dos Portos, Leônidas Cristino (PSB), para concorrer ao
governo estadual contra o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE). Se os irmãos
Gomes escolherem mesmo apoiar o PT na disputa presidencial e não o PSB, como
tudo indica, Cristino contará com Dilma no seu palanque e Eunício ficará sem o
suporte presidencial.
Porém, por mais que o senador se
queixe, ficará isolado em suas reivindicações, pois seu partido já estaria
devidamente consolado com os novos cargos, calculam os governistas.
Articuladores do governo acreditam que a medida pró-PMDB ajudaria também a
diminuir tensões e a fortalecer palanques regionais, como no Rio de Janeiro.
Cenários
Dilma resolveu parar de esperar
que Campos tomasse a iniciativa de romper a aliança nacional, pois avalia como
insustentáveis as últimas atitudes do governador, que tem posado publicamente
para fotos em plena articulação com o presidente nacional do PSDB, senador
Aécio Neves (MG), também provável candidato à Presidência no ano que vem.
O contexto só mudaria se Campos
desistisse de se lançar na disputa presidencial de 2014, mantendo a aliança com
o governo federal e adiando para 2018 a candidatura ao Palácio do
Planalto. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até chegou a ter alguns
encontros a portas fechadas com Campos para sondar essa possibilidade. A ideia
é também defendida por uma corrente dentro do PT. Mas a promessa de apoio
futuro parece não seduzir Campos.
Fonte: Sobral em Revista.













