Brasília, 18 jun (EFE).- A
presidente Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira que 'a voz da rua tem que
ser escutada' e disse que as multidões que protestaram reivindicando melhores
serviços 'enviaram uma mensagem direta aos governantes'.
Apesar dos episódios violentos isolados durante as
manifestações, que nesta segunda-feira ocuparam dezenas de cidades e das quais
calcula-se que tenham participado 250 mil pessoas, Dilma disse que os protestos
'demonstram o valor da democracia' e revelam que 'os cidadãos estão em busca de
seus direitos'.
Em
suas primeiras declarações públicas sobre os protestos que desde quase 10 dias
se expandem pelo país, a chefe de Estado condenou os episódios de violência,
mas destacou que a maioria das manifestações correu pacificamente.
Avaliou o 'espírito pacífico das pessoas que ontem (esta
segunda-feira) foram às ruas democraticamente' em uma mobilização que 'supera
os mecanismos tradicionais das instituições, partidos políticos e sindicatos'.
Segundo Dilma, 'as manifestações comprovam a grandeza de
nossa democracia e o civismo de nossa população' e supõem 'uma mensagem direta
(...) aos governantes de todas as instâncias'.
A presidente comemorou ter visto 'tantos jovens e
adultos, o neto, o pai, o avô, juntos com a bandeira do Brasil, dizendo com
orgulho 'eu sou brasileiro' e defendendo um país melhor'.
As reivindicações da população 'mais cidadania, por
melhores escolas, por melhores hospitais, postos de saúde, pelo direito à
participação' e 'transporte público de qualidade e a preço justo', pelo direito
a influir nas decisões dos governos, em repúdio à corrupção e ao uso indevido
do dinheiro público', e 'comprova o valor intrínseco da democracia', afirmou.
'A minha geração sabe quanto isso nos custou', lembrou
Dilma, que militou em organizações de esquerda que pegaram em armas contra a
ditadura militar e passou mais de dois anos presa e sofrendo torturas.
Em sua declaração, durante um ato público realizado no
Palácio do Planalto, a governante disse que o governo 'está empenhado e
comprometido com a transformação social' que reivindica 'a voz das ruas' e
citou 'a elevação de 40 milhões de pessoas à classe média' com uma demonstração
disso.
Assegurou que seu governo quer 'ampliar o acesso à
educação e à saúde', e apontou que 'as exigências da população mudam quando
mudamos também o Brasil', pois as melhoras sociais geraram 'cidadãos que querem
mais e que têm direito a mais'.
A presidente se mostrou disposta a escutar as
reivindicações e sustentou que, assim como a sociedade que se manifestou nas
ruas, o governo 'também quer mais e vai a conseguir mais para o país e para o
povo'.
Sua única condenação foi aos episódios de violência, dos
quais disse que 'não escurecem de nenhuma maneira o espírito pacífico' dos
protestos.
'Aconteceram
atos minoritários (...) que devemos condenar e coibir com vigor', pois 'toda
violência é destrutiva, lamentável e só gera mais violência', disse Dilma, que
avaliou ainda o 'correto tratamento dado pela segurança pública à livre
manifestação popular'.
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Fonte: MSN













