Álbum de família: dona Mazé segura a bisneta Maria Clara entre Ciro Gomes e a filha Lívia, mãe da bebê.
Nesse segundo domingo de maio, Dia das Mães, Maria José Santos Ferreira Gomes, ou apenas Dona Mazé, tem motivos de sobra para sorrir. Afinal, não é qualquer pessoa que tem o privilégio de ser mãe de dois governadores: Ciro Gomes, que administrou o Estado do Ceará de 1991 a 1994, e Cid Gomes, atual comandante do Palácio da Abolição. A situação a coloca bem perto do poder e poderia até trazer momentos de irritação, diante das críticas e cobranças que naturalmente recaem sobre os dois filhos famosos. Mas ela não liga para isso. Prefere se prender ao lado bom da Política: oportunidade que cada um teve e tem de promover o desenvolvimento do Estado e a melhoria na qualidade de vida da população.
Dona Mazé, aliás, não é daquelas que assiste a tudo de forma passiva. Pelo contrário. Dá palpites nas decisões tomadas por ambos. “Aqui e acolá eles aceitam”, brinca. Em 2009, por exemplo, Ciro decidiu não seguir os conselhos da mãe e transferiu seu título eleitoral para São Paulo, diante da pressão do então presidente Lula para que fosse candidato ao governo de lá.”Mamãe não gostou”, contou Cid à época. E, como dizem, “coração de mãe não se engana”. A ideia não deu muito certo e o ex-deputado federal acabou não sendo candidato a cargo algum. Mas não pense que no currículo de Maria José consta apenas o título de “mãe de governador”. Na época em que seu marido, José Euclides Ferreira Gomes Filho, era prefeito de Sobral (1977-1982), ela - que também é professora - foi secretária de Educação do Município. No seu plano de ações, uma se destacou pela ousadia: erradicar a pobreza das comunidades do Sumaré e Alto Novo. Algum tempo mais tarde, em 1996, Dona Mazé assume a figura de matriarca da família. Foi neste ano que ela perdeu seu marido, “o esteio, a âncora, o conselheiro da família. Meu protetor”. Ela lembra que “a tarefa de continuar com a vida” não foi das mais fáceis. O companheirismo dos filhos, entretanto, tornou a caminhada menos dura.
Filhos esses que deram à Dona Mazé, hoje com 83 anos, a alegria de desempenhar outros importantes papéis: o de avó e o de bisavó. Netos ela já contabiliza 12. Bisnetas são duas: Júlia, que é neta de Lúcio Gomes, e a pequena Maria Clara, neta de Ciro Gomes, que nasceu em março passado. É felicidade que não cabe em si, e que será compartilhada hoje com os leitores do People. Confira entrevista exclusiva:
O POVO: A senhora é mãe de cinco filhos. Três deles resolveram ingressar na carreira política: Ciro, Cid e Ivo Gomes. Qual o lado positivo e o lado negativo disso?
Maria José: Não considero ruim estar perto do mundo do poder. Acredito que o que importa é ajudar os que precisam, é ter o poder para ver as pessoas crescerem e a comunidade melhorar cada vez mais. Para mim isso é sempre positivo.
OP: A senhora acompanha de perto a carreira política de cada um deles, chega a dar sugestões?
Mazé: Acompanho sim, e às vezes, dou as minhas sugestões. Aqui e acolá eles aceitam.
OP: Seu filho Cid Gomes ocupa hoje o cargo mais importante do Estado. Que avaliação a senhora faz do governo? Que nota daria?
Mazé: Esta é uma pergunta fácil de responder. Modéstia de mãe coruja à parte, acho o governo do Cid nota 10. Ele é um homem de visão, honesto, trabalhador que quer sempre o melhor para a população. Tenho orgulho dele.
OP: A senhora é de São Paulo, onde nasceu Ciro Gomes. Como foi essa vinda para o Ceará? Sente muitas saudades da sua terra natal?
Mazé: Claro que sinto falta de meus parentes. Mas o Ceará me recebeu de braços abertos e todas aquelas pessoas que conheço em Sobral e em Fortaleza, hoje, fazem parte da minha vida. Tivemos dois filhos em São Paulo e três em Sobral.
OP: Temos informações de que a senhora já foi cantora lírica. Como foi esse momento?
Mazé: Cantei muito. Em festivais em algumas cidades como Rezende, na Academia Militar das Agulhas Negras. Mas isso já faz muito tempo. Depois, aqui no Ceará, cantei em alguns casamentos. Infelizmente, por motivo de saúde, perdi a voz. Mas não deixo de apreciar o “bel canto”.
OP: Quais as melhores lembranças da época em que seus filhos eram crianças?
Mazé: Tenho ótimas lembranças de quando meus filhos eram pequenos, gostava muito de tê-los perto de mim. Quando o Ciro veio morar em Fortaleza, sofri muito, pois era a primeira separação. Depois vieram o Lúcio, o Cid, a Lia e, por fim, o Ivo. Assim, para o bem deles, a gente tem que se acostumar com a distância. Felizmente, ainda os tenho ao meu lado. Sinto muito orgulho de todos eles.
OP: Além de mãe, a senhora é avó e recentemente se tornou bisavó. Dá pradizer qual dos três momentos é mais emocionante?
Mazé: Há tempos, quando fui avó pela primeira vez, eu me fiz esta pergunta. Falando francamente, não há emoção maior que a de ter um filho. Ainda mais quando se tem “joias” como eu. Claro que é bom ser avó, mas não existe o compromisso de criar. A gente tem contato, mas não é tão intimo como o de ser mãe. Ser bisavó é uma vitória! Na minha idade ganhar duas bisnetas é comovente.
OP: Há algum tempo a senhora perdeu seu marido, senhor Euclides Ferreira Gomes, e teve, digamos, que tomar conta da família sozinha. Foi uma tarefa muito difícil assumir esse papel de matriarca?
Mazé: Foi uma perda irreparável a do meu marido. Ele era o esteio, a âncora, o conselheiro da família, dos filhos e meu protetor. A tarefa de continuar com a vida foi difícil, mas meus filhos já eram formados e cada um com sua profissão. Eles foram muito bem orientados, educados pelo exemplo que Euclides deixou. Procuro que eles estejam sempre perto de mim, sendo eles, agora, que me protegem e amparam.
Ítalo Coriolano
Fonte: O Povo Online.