O que disse este blog sobre o interrogatório de Lula vai se
confirmando como interpretação geral, salvo daqueles que, na falta de algo
concreto para apontar, agarram-se na irritação – mais que justificada – do
ex-presidente com a perseguição de que está sendo vítima.
Transcrevo, na íntegra, o
comentário do jornalista Kennedy Alencar, da CBN e do SBT, que diz, em
linguagem mais contida que a minha, o mesmo que se afirmou aqui: não havia,
entre as indagações policiais, qualquer uma que procurasse informações sobre
algum ilícito apontado a ele:”não houve uma pergunta direta sobre ilegalidade
atribuída ao ex-presidente”.
Se já era ilegal sua condução
coercitiva, sem antes ser convidado a depor, agora mostra-se que foi, afinal,
apenas um inútil espetáculo espalhafatoso de comoção social e propaganda.
Kennedy Alencar, em seu blog
Vindas a público um dia após as manifestações, as perguntas feitas
pelos investigadores da Lava Jato ao ex-presidente Lula sugerem fragilidade
para provar a tese de que o petista recebeu propina da Petrobras.
Apesar de a Lava Jato completar dois anos neste mês, nas perguntas
formuladas pelos delegados no depoimento prestado no último dia 4 de março, não
houve menção a uma única delação premiada que apontasse que o ex-presidente
tivesse participado de algum acerto de propina com empresas em troca de
contratos na Petrobras.
As perguntas dos investigadores da Lava Jato sugerem que haveria
confusão entre a contabilidade do Instituto Lula e da empresa de palestras do
ex-presidente, a LILS. Insinuam que as palestras no exterior poderiam ser
fachadas de lobby, mas não apresentam uma evidência nesse sentido. Lançam
suspeitas sobre o repasse de recursos a fornecedores do instituto. Repetem
indagações já amplamente divulgadas e comentadas a respeito do sítio de Atibaia
e do apartamento no Guarujá.
Há momentos constrangedores e engraçados ao falar de vinhos,
tralhas do acervo presidencial, pedalinhos e diárias da Polícia Federal. Mas,
ao contrário de indagações feitas nos vídeos em que delatores foram ouvidos,
não houve uma pergunta na seguinte linha: “Fulano de Tal acusa o sr. de ter
cometido o seguinte crime nessas circunstâncias. O que o sr. tem a dizer a
respeito disso?”.
Por ora, há mais evidências de trocas de favores do que de
recebimento de propina.
Das duas, uma. Ou os investigadores não mostraram até agora todas
as armas que possuem contra Lula e estão escondendo o jogo por estratégia. Ou,
sem algo mais forte, fizeram uma primeira investida para jogar verde e colher
maduro.
Se for levado em conta o depoimento dado pelo ex-presidente, ainda
há um longo caminho a ser percorrido até que eventualmente seja confirmada a
tese anunciada pelo procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima em
entrevista no dia da Aletheia: a de que Lula seria o chefe de um esquema de
compra de apoio político por meio de propina em contratos da Petrobras. A não
ser que os investigadores estejam pensando em recorrer à Teoria do Domínio do
Fato.
Fonte: O Tijolaço













