O
juiz Sergio Moro, que conduz a força-tarefa da Operação Lava Jato, autorizou
grampos telefônicos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que atingiram
também a presidente Dilma Rousseff.
Eis o diálogo:
Conversa com Dilma
– Dilma: Alô
– Lula: Alô
– Dilma: Lula, deixa eu te falar uma coisa.
– Lula: Fala, querida. Ahn
– Dilma: Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter
ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!
– Lula: Uhum. Tá bom, tá bom.
– Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.
– Lula: Tá bom, eu tô aqui, fico aguardando.
– Dilma: Tá?!
– Lula: Tá bom.
– Dilma: Tchau.
– Lula: Tchau, querida.
Sobre
a conversa de Lula e Dilma, ele afirmou que não há nenhum indício nas
conversas, ou fora delas, de que as pessoas citadas tentaram, de fato, agido
“de forma inapropriada”.
Os grampos também atingiram, direta ou indiretamente, ministros
do Supremo Tribunal Federal, como o presidente Ricardo Lewandowski, a
ministra Rosa Weber, e também o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão.
Tudo isso veio a público hoje, porque Moro decidiu abrir o conteúdo das
interceptações sobre Lula, realizadas na última fase da Lava Jato.
Moro comentou o despacho de Rosa Weber sobre o pedido da defesa de
Lula, que apontava conflito de competências sobre as investigações relacionadas
ao “triplex do Guarujá”, caso que, em tese, deveria ser investigado em São
Paulo.
“A eminente Magistrada, além de conhecida por sua extrema honradez e
retidão, denegou os pleitos da Defesa do ex-Presidente”, afirmou Moro
Também aparece nos diálogos Ricardo Lewandowski. “Há diálogo que sugere
tentativa de se obter alguma intervenção do Exmo. Ministro Ricardo Lewandowski
contra imaginária prisão do ex-Presidente, mas sequer o interlocutor logrou
obter do referido Magistrado qualquer acesso nesse sentido”, afirmou Moro.
Ele também comenta a percepção de Lula sobre o novo ministro da
Justiça. “Parece nosso amigo”, disse Lula. Todo o material recolhido por
Moro será enviado ao Supremo Tribunal Federal, uma vez que, como ministro, o
ex-presidente passa a ter foro privilegiado.
Fonte: Diário
do Centro do Mundo.













