"Um cristão evangélico que toca
bateria e tem sido comparado a Frank Underwood, o ambicioso político de “House
of Cards”, série do Netflix, vem abalando a política brasileira desde que foi
eleito presidente da Câmara dos Deputados, há quatro meses". É assim que
começa o perfil do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) publicado no site do jornal
americano “The Washington Post” (original em inglês aqui).
De
acordo com a matéria, Cunha “não apenas balançou o governo de alianças da
Presidente Dilma Rousseff, no qual seu partido é supostamente o aliado mais
importante. Suas ações ameaçaram inviabilizar a coligação meses após o começo
do segundo mandato da presidente, levando a uma série de revoltas que abriram
feridas nas frágeis alianças”.
O jornal americano citou as votações dessa semana para
mostrar como Cunha trabalha: “Uma comissão do congresso trabalhou por mais de
três meses nas propostas que foram jogadas fora depois que o deputado convidou
alguns líderes de partidos para almoçar em sua casa e foi decidido que as
medidas seriam votadas diretamente no plenário cheio”.
José Álvaro Moisés, cientista político da Universidade de São
Paulo (USP), descreveu para reportagem do site do Washington Post o momento da
política brasileira como um divisor de águas. "A oposição não está
cumprindo bem o seu papel. Então esse espaço está sendo ocupado pelo
PMDB", disse.
Segundo a publicação, o PMDB tem planos de desafiar o PT nas
eleições presidenciais de 2018 e, com o Congresso agressivo que vem controlando
com a presidência das duas casas, está mudando o equilíbrio de poder no Brasil.
"O legislativo também quer definir a agenda do país", disse.
O jornal ressalta que críticos chamaram Cunha de perigoso,
retratando ele como um operador político implacável e resiliente que dirige a
Câmara dos Deputados de forma imperativa.
O jornal lembra ainda que Cunha recebeu doações da Camargo
Corrêa, uma das construtoras investigadas na Lava-Jato, na campanha de 2010, e
que a senha do computador dele na Câmara foi usada para fazer um requerimento
com pedido de informações a uma empresa suspeita de pagar propina a políticos
com dinheiro desviado da Petrobras.
De acordo com o depoimento ao jornal de Rodrigo Motta,
professor de história da UFMG e autor de livro sobre o PMDB, o presidente da
Câmara não tem ideologia. "Ele não tem nenhuma ideologia. A sua ideologia
é a do poder", disse Motta à reportagem do Washington Post.
A reportagem encerra dizendo que a
"política brasileira é um jogo áspero e que Eduardo Cunha não se importa
jogar sujo para ganhá-la".
Fonte:
Brasil
247.













