sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Número de mulheres a mais do que homens no Ceará lotaria quatro vezes o estádio Castelão

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O número de mulheres é superior ao de homens em quase 283 mil habitantes, o que dá para lotar quatro vezes o estádio Castelão, que comporta 65 mil pessoas
As mulheres se queixam que “falta homem no mercado”, sobretudo no Ceará. Também não é por menos. No estado, o número delas é superior ao deles em quase 283 mil habitantes. Esse total lota mais de quatro vezes o maior estádio cearense: Arena Castelão, que comporta 65 mil pessoas.
Com base na estimativa demográfica para o ano de 2014 – divulgada pelo Censo 2010 do IBGE –, o número de cearenses é de 8.842.79. Desse total, 51,6% são do sexo feminino, o que significa que para cada 100 mulheres existem 93 homens.
Notório
Para a estudante Bárbara Sampaio, 24, é notório que há mais mulheres que homens, pelo menos em Fortaleza. “Em todos os cantos que a gente vá, festas ou faculdade. Acho que corremos menos risco de morte em algumas situações. Os homens estão mais propensos à violência”, explica.
E se está difícil para as mulheres arranjarem um relacionamento, está fácil para os homens. Pelo menos é o que o administrador Ramiro Leite considera. “Existe uma cultura de que a mulher precisa de um companheiro. Então, há uma pressão para que elas consigam alguém. Então, o homem nem precisa encantar uma mulher, porque elas não selecionam mais tanto. Não é preciso ser satisfatório, mas conveniente”.

Análise
Não é de hoje que o número de mulheres é superior ao de homens não só no Ceará, mas no Brasil. Segundo a professora da UFC Neyara Araújo, na evolução da espécie, a própria natureza se previne, gerando mais matrizes, que potencialmente proporcionarão a procriação das gerações.
Além disso, no Ceará, o fato não é novidade devido a algumas características da história local. No passado foi mais comum aos homens deixarem seus lares e migrarem de região, em busca de trabalho e mais oportunidades para sustentar a família. Já as mulheres permaneciam no lar, cuidando dos filhos.

Com o tempo, esse fator deixou de ter força, já que as migrações se estabilizaram, mas a violênciatornou-se a protagonista da história. “O homem está mais exposto ao perigo e a algum tipo de autoviolência. Já as mulheres têm mais controle. Mesmo assim, o processo está mais indefinido, porque há violência em todo lado”.
Em relação aos assuntos do coração, a professora considera que as reclamações das mulheres não têm ligação direta com a quantidade. “É algo mais profundo. As mulheres se preocupam mais com estabilidade, até mesmo em função dos filhos. Então, ela quer mais garantias e escolhe mais”, finaliza.


Fonte: Tribuna do Ceará  
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