O governador Cid Gomes compareceu à posse e, mesmo tendo sido
perguntado, não deu detalhes sobre "milícias".
Em cerimônia lotada de políticos,
na tarde de ontem, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) ganhou novo
comando. Foi empossada na presidência da Corte a desembargadora Iracema do
Vale, ex-integrante dos quadros do Ministério Público, que anunciou como
prioridades da gestão o cadastramento biométrico de eleitores, a construção da
nova sede do TRE-CE e a organização da disputa do próximo ano.
Será a primeira vez em que a Lei da
Ficha Limpa valerá no pleito para governador e presidente da República. A nova
presidente do TRE disse que, apesar de algumas mudanças na composição do pleno
da Corte, o nível de rigidez contra candidatos ficha suja será mantido. Sem
querer polêmica, perguntada pelo O POVO, ela não quis
se pronunciar sobre a tentativa do Congresso Nacional de barrar a criação de
novos partidos e o alto número de prisões de prefeitos e gestores públicos por
corrupção no Estado.
O novo vice-presidente do Tribunal,
desembargador Abelardo Benevides, também já traçou os desafios do mandato, que
dura dois anos: elaborou cronograma de inspeções em cartórios do Interior, para
tentar agilizar o andamento de processos eleitorais. “Hoje há situação
constrangedora. Os processos são julgados faltando seis meses para o político
deixar o mandato. A gente faz essas inspeções pedindo que se dê prioridade a
casos que têm implicações mais graves”, afirmou.
Cid
e RC presentes
Autoridades e políticos
governistas e opositores se aglomeraram na posse – entre eles, o prefeito de
Fortaleza, Roberto Cláudio, o governador Cid Gomes (ambos do PSB). Mesmo
insistentemente perguntado, Cid disse não ter detalhes sobre as “informações”
(ver Bate-Pronto) que o Palácio da Abolição teria recebido a respeito de
possíveis milícias infiltradas na manifestação “Fortaleza Apavorada”, na última
quinta-feira.
Três dias antes do protesto por mais
segurança na Capital, o Executivo lançou nota em que pedia para os
manifestantes não levarem crianças para o ato, por suposto risco de haver ações
violentas de “grupos partidários e marginais de uma milícia” que teriam se
infiltrado no movimento. O “Fortaleza Apavorada” ocorreu de forma pacífica.
Bate-pronto
Que
“milícia” o governo diz que se infiltraria no “Fortaleza Apavorada”?
Cid Gomes - O que houve foi notícia de que teriam pessoas infiltradas. O
governo teve a preocupação de alertar.
A
nota falava em partido infiltrado. Quais?
Cid - A informação é que partidos se infiltrariam. Alertamos, pedimos
acompanhamento. A notícia é que teriam. Não tenho detalhe.
Não
é vago acionar Ministério Público com base nessas informações?
Cid - Não era provável que tivesse movimentos políticos infiltrados
ali? A nota cumpriu com o objetivo, que era respeitar o movimento e que
acontecesse em paz. Talvez se nós não tivéssemos soltado a nota, movimentos
políticos teriam se infiltrado, movimentos militares teriam se infiltrado.
Que
peso esse tema terá na eleição de 2014?
Cid - Não tô preocupado com isso, sinceramente.
Não
está preocupado por estar muito confiante?
Cid - Não, não, não. Veja bem. Eu (pausa) não acho razoável que seja misturado
política com segurança.
Fonte: O Povo.













