Presidente recebeu
protestos durante a cerimônia de abertura da Copa das Confederações.
As manifestações contra
o uso de verbas públicas para a Copa das Confederações ocorridas no fim de
semana em Brasília e no Rio de janeiro, que se somaram aos recentes protestos
contra o aumento da tarifa de ônibus em diversas cidades do País, foram tema de
reportagens e artigos em jornais de todo o mundo nesta segunda-feira, 17. A
imprensa internacional também destacou as vaias recebidas pela presidente Dilma
Rousseff na abertura do torneio.
Em artigo intitulado
"Por que o Brasil e agora?", o El País afirma em sua edição online
que a crise repentina criada pela onda de protestos, iniciada em São Paulo e no
Rio de Janeiro, causa perplexidade dentro e fora do País. O jornal espanhol
levanta uma série de perguntas sobre o porquê de isso estar acontecendo neste
momento. Segundo o El País, existe apenas um certo consenso de que o Brasil
vive uma espécie de esquizofrenia, que ainda deve ser analisada e explicada.
"Por que surge agora um
movimento de protestos como os que já estão quase de volta em outros países do
mundo, quando durante dez anos o Brasil viveu como se estivesse anestesiado por
seu êxito aplaudido mundialmente? O Brasil está pior hoje que há dez
anos?", questiona o El País. "Não, está melhor. Pelo menos está mais
rico, tem menos pobres e o número de milionários está crescendo. É mais
democrático e menos desigual", responde a própria publicação.
Por que
vaiaram? O El País também
pergunta como a presidente Dilma Rousseff pode ter sido vaiada por quase 80 mil
torcedores de classe média, que puderam pagar até 400 dólares por um ingresso
na abertura da Copa das Confederações, em Brasília. Por último, o jornal
questiona como podem jovens que normalmente não dependem do transporte público
porque já possuem carro sair às ruas para protestar contra a alta das tarifas
de ônibus. Após uma série de reflexões, o artigo resume uma das razões para
isso: "Os pobres chegados à nova classe média tomaram consciência de haver
dado um salto qualitativo na esfera do consumo e agora querem mais".
A
questão socioeconômica brasileira também foi tratada em reportagem publicada no
site do Le Monde e intitulada "Crise no transporte provoca agitação social
no Brasil". O jornal francês também publicou nesta segunda-feira um vídeo
que mostra a polícia dispersando com bombas de gás lacrimogêneo e balas de
borracha cerca de 3 mil manifestantes que tentavam se aproximar do Estádio do
Maracanã, no Rio de Janeiro, para protestar contra os gastos ligados à
organização da Copa do Mundo do Brasil um pouco antes do jogo entre Itália e
México na Copa das Confederação.
O jornal também mencionou as vaias
recebidas pela presidente Dilma antes do jogo. "Dentro do recinto, a
presidente Dilma Rousseff se esforçou para conter sua raiva quando foi
anunciada, no microfone, a abertura oficial da 9ª edição do torneio, que será
realizada em seis etapas diferentes. Seu nome, anunciado pelo presidente da
Fifa, Joseph Blatter, da Suíça, que estava de pé ao lado dela, foi recebido por
um enorme vaia por longos segundos", ressalta o jornal.
O argentino Clarín, que também
observou as vaias recebidas por Dilma no sábado, destacou que o jogo inaugural
da Copa das Confederações deu início a um "gigantesco" plano de
segurança e que, "enquanto centenas de manifestantes eram reprimidos no
entorno do estádio Mané Garrincha, pouco antes da partida entre Brasil e Japão,
drones israelenses e helicópteros filmavam céu e terra em tempo real".
Teste
para 2014. Segundo o Clarín,
parte da parafernália de segurança foi usada no sábado em Brasília e no domingo
no Rio de Janeiro "para filmar as centenas de manifestantes brasileiros
que se aproximaram dos estádios para protestar contra os gastos do governo
federal com eventos internacionais".
Os protestos no
Brasil estiveram também no site da agência de notícias britânica BBC, que
afirmou que torcedores que tentavam chegar ao estádio do Maracanã no domingo
ficaram no meio da confusão entre policiais e cerca de 600 pessoas que
protestavam contra o aumento na tarifa de ônibus e o uso de recursos públicos
para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo. "A Copa das Confederações
é vista como um importante teste para o torneio de 2014", observou a BBC.
Fonte: Estadão.













