Brasil 247 - Emissora da família Marinho libera
seu principal âncora popular para aderir e, mais ainda, tentar pautar protestos
estudantis; "Alienado é o cacete", disse Fausto Silva, chamando para
novas manifestações, sobre temas como segurança, saúde e educação; "Todo
mundo agora vai se informar mais para votar melhor", disse ele, sob
aplausos da platéia; "Quem está mandando sabe que a chapa está quente,
está fervendo", sublinhou; estratégia será capaz de superar o tradicional
coro popular "o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo"?; controle
social da mídia não entra no pacote global.
Depois da simpatia demonstrada pelos apresentadores do
Jornal Nacional, William Bonner e Patrícia Poeta, com as manifestações
estudantis da quinta-feira 20,corrigindo a posição de crítica ao movimento
manifestada dias antes pelo colunista Arnaldo "isso é coisa de
vândalos" Jabor, no domingo 23 a Rede Globo surfou de vez a onda dos
protestos.
Pela voz do
apresentador Fausto Silva, que domina as tardes dominicais com seu programa de
variedades, a emissora da família Marinho passou não mais apenas a apoiar, mas
também a convocar e ampliar a pauta de reivindicações dos protestos estudantis.
PINGO D'ÁGUA - "Quem está mandando sabe que a chapa está quente, está
fervendo", disse ele, ao vivo, na direção dos governantes. Em seguida,
Faustão questionou a audiência sobre a situação de diferentes setores do País.
"O Brasil está bem na Saúde?", perguntou ele para ouvir um coro
negativo do seu auditório: "Nããão!". Depois
questionou sobre Educação, Transportes, Segurança e Serviços Públicos, sempre
ouvindo a mesma resposta, com igual ênfase.
"Eu sempre
falei isso", afirmou Faustão. "Quando o brasileiro tivesse a consciência
de se unir e ser solidário nas coisas graves desse país, como tem com a Copa,
esse país ficaria uma coisa decente para todo mundo". E avançou:
"Você diz que o jovem brasileiro é alienado – alienado o cacete! É claro
que as manifestações começaram com a passagem de ônibus, mas isso foi o pingo
d'água. Todo mundo agora vai se informar mais para votar melhor".
"O POVO NÃO É BOBO" - Com a verdadeira profissão de fé de Faustão sobre as
manifestações, somada ao posicionamento editorial favorável dos jornais da
emissora, a Globo desenvolve a estratégia de aderir ao movimento e,
rapidamente, buscar uma posição de protagonismo na mídia. Depois de ver seus
símbolos atacados nas ruas, com forte rejeição até mesmo a profissionais com
imagem consagrada junto ao público, a Globo empreende uma forte correção de
rota para não entrar ela própria na pauta de reclamações dos manifestantes, em
razão do seu histórico papel de sustentação das forças políticas mais
conservadoras. Um protagonismo que gerou, de forma espontânea, o slogan popular
presente em praticamente todas as passeatas: "O povo não é bobo, abaixo a
Rede Globo". A ver se vai dar certo.
Fonte:
Brasil
247.