Após duro debate e protestos que atraíram
centenas de milhares às ruas de Paris, França se torna o 14º país do mundo a
aprovar medida.
A Assembleia Nacional francesa, de maioria
socialista, aprovou nesta terça-feira por 331 votos contra 225 a legalização do
casamento gay e a adoção por casais homossexuais depois de meses de duros
debates e protestos que atraíram centenas de milhares às ruas
de Paris .
A
ministra francesa da Justiça, Christiane Taubira, disse que os primeiros
casamentos podem ser celebrados já em junho. "Acreditamos que os primeiros
casamentos serão lindos e trarão um sopro de alegria, e aqueles que atualmente
se opõem a isso certamente mudarão de posição quando virem a felicidade dos
recém-casados e suas famílias", disse.
A França é o 14º país do mundo a
legalizar o casamento gay, e a votação desta terça ocorreu uma semana depois de
a Nova Zelândia - com pouca controvérsia - ter permitido o casamento entre casais do mesmo sexo .
Oponentes da lei afirmavam que a
França não estava pronta para legalizar a adoção por casais do mesmo sexo, e
pesquisas mostravam o país fortemente dividido na questão. Milhares de policiais
foram mobilizados previamente à votação, preparando-se para protestos de
partidários e oponentes da medida ao redor do prédio da Assembleia Nacional e
ao longo do Rio Siena.
Durante
a votação, um espectador vestido de rosa, a cor usada pelos oponentes do
casamento gay, foi retirado à força do Parlamento. "Apenas aqueles que
amam a democracia estão aqui", disse irritado o presidente da Assembleia
Nacional francesa, Claude Bartelone.
Em
semanas recentes, violentos ataques contra casais gays aumentaram, e alguns
legisladores receberam ameaças - incluindo Bartelone, que recebeu um envelope
cheio de pólvora na segunda-feira.
Um
dos maiores protestos contra o casamento gay atraiu centenas de milhares de
ativistas conservadores, estudantes e seus pais, aposentados, padres e outros
que chegaram a Paris vindos das províncias francesas de ônibus. Essa marcha
terminou com o uso de gás lacrimogêneo enquanto manifestantes linha-dura,
alguns usando máscaras e capuzes, entraram em confronto com a polícia,
danificando carros ao longo da Avenida Champs-Elysees.
Quando o presidente François
Hollande prometeu legalizar o casamento gay , a medida foi
vista como algo relativamente não controvertido. Mas a questão se tornou
polêmica à medida que a popularidade do líder francês caiu para baixas sem
precedentes, amplamente por causa da má fase da economia do país.
Os
conservadores franceses, divididos por disputas internas e pela derrota eleitoral de Nicolas Sarkozy , encontraram um
causa comum no casamento gay. Esperando manter o assunto vivo, o conservador
partido UMP planeja desafiar a lei no Conselho Constitucional.
As
uniões civis francesas, permitidades desde 1999, são ao menos tão populares
entre heterossexuais quanto entre casais gays e lésbicas. Mas essa lei não tem
nenhuma provisão relativa à adoção, e a oposição na França aos casais do mesmo
sexo cresce quando crianças são envolvidas. De acordo com pesquisas recentes,
um pouco mais da metade dos franceses se opõe à adoção por casais homossexuais
- praticamente o mesmo número que diz apoiar o casamento gay.
Fonte: IG













