Seu Joaquim
Em uma segunda-feira de 1970, acordara por volta das
4h da manhã, mesmo tendo 4 anos de idade, e embalados pelo som dos rádios do
Tri Campeonato do Brasil no México, ficamos a postos a beira da estrada, em
frente a caixa d`água. Eis que surge a nossa condução para Sobral. Era seu
Joaquim Elias, com sorriso largo, ao mesmo tempo com um semblante concentrado,
olhar firme e contundente, sabendo da responsabilidade, de levar família ali
com ele.
A cada 3 km ou 5 km, uma parada, um novo entrante,
vários cumprimentos, saudações e lá íamos a Sobral. Próximo a Bilheira o
acordar com uma testada nas Costas do Felício ( quem teve a paciência de cortar
o meu cabelo), sem carrinhos, sem TV com filminho, somente minha querida Aldenir,
irmã de todas as horas, que me acompanhava. O olhar rindo pra traz do Felício,
vez por outra, volta em meus devaneios.
Seu Joaquim freava manso, tinha tarimba nos pés, o
sono e preguiça de menino é que teimava em cochilar.
Ao Chegar à querida Sobral e descer do caminhão, com
seus paus de araras, bem entrincheirados, seu Joaquim passava a mão na minha
cabeça, como se fosse uma benção, por ter nos guiado até o nosso destino.
Aos 9 anos já morando em Sobral, a afeição do irmão
Francisco, hoje em outro plano espiritual, destilava cartas e mais cartas, com
uma Elias, com pseudônimo de Francisca. Selava-se em minha memória a junção da
infância, com o meu protetor/irmão.
Seu Joaquim deixou um legado, bons filhos, alinhou o
caminho de tantas idas e tantas vindas a Sobral. Nunca ouvi falar de um
acidente, pneu furado, quebra do carro, etc.. Era um homem zeloso e cuidadoso
com seu povo.
Seu Vicente, Seu Mucura, Seu Paula Paz, Seu João
Paulinho, Seu Brasileiro, Seu Antonio Inácio, Seu Moisés e tantos outros, devem
estar viajando com seu Joaquim no roteiro do Céu.
Por: José Armando Gomes













