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Ceará registra 25 mortes por intervenção policial no primeiro trimestre de 2020


Dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) mostram que, de janeiro a março deste ano, 25 pessoas morreram vítimas de intervenções policiais no estado. Das mortes, 10 foram em março - mês que contou com quase duas semanas de isolamento domiciliar no Estado devido à pandemia da Covid-19. As demais ocorreram em janeiro (8) e fevereiro (7).

A soma das mortes em confrontos nesses três meses resulta em um número significativamente menor do que em igual período de 2019. No ano passado, de janeiro a março, a SSPDS contabilizou 47 mortes. Nenhum dos casos é considerado como intencional, porque, segundo a Secretaria, possuem excludente de ilicitude. No entanto, todas as mortes resultam na instauração de inquérito policial e são apuradas pela Polícia Civil do Ceará.

Ao falar dos casos de mortes por intervenção policial, o professor, sociólogo e membro do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luiz Fábio Paiva, considera que a Polícia adotou uma postura de optar pelo confronto: "ela vai para a guerra. Não trabalha de maneira estratégica e nem tem suporte para resolver problemas sociais que, de certa forma, geram condições para a reprodução do crime".

O pesquisador ressalta que os números mostram "uma polícia brutalizada, cada dia mais violenta, cada dia mais acreditando que a violência é o caminho para resolver o problema, porque ela não tem condições de resolver o problema de outro jeito".

Formação
A SSPDS destaca que a Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp) prevê uma formação humanizada e de intervenções técnicas, propiciando que os profissionais se preocupem com questões sociais e a resolução de conflitos.
Em nota, a Pasta acrescentou que, em 2019, foram capacitados cerca de 500 policiais militares no curso "Manutenção em Policiamento Preventivo Especializado". "Durante a instrução especializada, são ministrados módulos sobre a mediação de conflitos, justiça restaurativa, filosofia de polícia comunitária, atuação dos policiais militares no Estado democrático de Direito e sobre o uso adequado da força", disse o órgão.
A SSPDS ainda argumenta que todas as ocorrências de morte por intervenção policial são tratadas com seriedade e transparência.


G1 CEARÁ

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