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Restaurante Adegão Português é o vencedor do Prêmio Água na Boca/Zona Norte


Fundado há 64 anos no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro, o Restaurante Adegão português tem em seu quadro de funcionários um grande número de Taperuabenses. O Restaurante ganhou destaque no jornal o Globo de hoje (26), após ser o grande vencedor o Prêmio Água na Boca/Zona Norte, na reportagem o jornal também destacou a trajetória do taperuabense Regis Sena que hoje gerencia o negócio.

Confira a reportagem do Jornal O Globo

RIO — A edição mais saborosa do ano finalmente chegou, ao menos para os leitores adeptos da boa mesa que aguardavam ansiosos os resultados do Prêmio Água na Boca 2018. Oferecida pelo caderno Zona Norte anualmente, a premiação elege estabelecimentos gastronômicos de excelência na região, com base na votação de um júri de dez personalidades das mais diversas áreas, todos notoriamente gourmets. Atores, músicos, produtores de eventos, blogueiras, jornalistas e profissionais ligados às artes foram convidados a apontar os estabelecimentos de sua preferência em nove categorias. Cada voto valia dez pontos.



Ao lado de algumas casas que já apareceram em edições anteriores do concurso, como é o caso da Dalmu’s, vencedora em duas categorias (Quilo/Bufê e Carnes/Churrascaria), do Bar da Portuguesa (Português) e do próprio Adegão, eleito o melhor restaurante da região, aparecem novidades como o Bronx Burger (Sanduíche) e a La Coccinella (Massas/Pizzaria), que estreiam em grande estilo na premiação. Os votos de minerva couberam à equipe de jornalistas do caderno.
A partir da página 24, após as reportagens sobre os estabelecimentos vencedores em cada uma das categorias do prêmio, o leitor encontrará os endereços e telefones das casas citadas pelo júri.


Os pratos que levam bacalhau são os maiores cartões de visita do restaurante Adegão Português. Fundado há 64 anos no bairro de São Cristóvão, o estabelecimento já levou o famoso peixe para unidades na Barra da Tijuca e em Ipanema, mas somente a filial da Zona Norte conta com o carisma do gerente Regis Sena. Houve equilíbrio na disputa, mas, no desempate, a casa ficou com o título de Melhor Restaurante do Água na Boca 2018. Cearense de Taperuaba, distrito do município de Sobral, Sena chegou ao Rio aos 16 anos para assumir uma vaga de faxineiro no Adegão e ganhar uma nova família. Ele nem imaginava que essa primeira experiência profissional seria o trabalho de sua vida.

— Estou aqui há 25 anos. Quando o meu tio, que também trabalha na casa, me ligou dizendo que tinha uma vaga de faxineiro, não pensei duas vezes. Peguei dinheiro emprestado para comprar a passagem e vim. Depois de dois anos na faxina, passei para a lavagem de pratos, onde fiquei mais três. Em seguida, fui para a copa, onde retirava bebidas e drinques, e por lá fiquei por 12 meses. Depois passei a cumim e fiquei ajudando os garçons por quatro anos. Ainda trabalhei mais 13 anos como garçom, antes de começar na gerência, onde estou até hoje — recorda ele.
O bacalhau, como se sabe, é o hors concours do Adegão. Mas, segundo Sena, outros pratos merecem o status de campeões de audiência:
— Nada bate, em número de vendas, os pratos com bacalhau. Mas há ainda o polvo, o camarão, a lula, a paleta de cabrito e o cordeiro, que, às vezes, chegam bem perto.
Num prédio de dois andares, com espaço para 180 pessoas, a casa funciona até a noite. Diariamente, com exceção de sexta-feira, oferece um prato especial no cardápio do dia. Segunda é rabada; terça, dobradinha; quarta, cozido; quinta, ossobuco; sábado, feijoada; e no domingo, cozido novamente.
— É uma maneira de mostrarmos a nossa variedade, que vai além do bacalhau. Muita gente gosta desse tipo de peixe, mas quem não é chegado acaba deixando de vir à casa, porque acha que, por ser especializada em comida portuguesa, só vai encontrar bacalhau. Temos vários tipos de carnes, peixes e aves. Sou suspeito para falar, mas adoro tudo — elogia Sena.

ONDE OS CLIENTES MANDAM
Para Sena, o maior patrimônio do Adegão Português não é o bacalhau, mas os clientes que a casa conserva ao longo de anos. Segundo ele, há frequentadores que vão semanalmente ao restaurante há mais de três décadas.

— A casa tem uma alta frequência sempre. Vem muita gente nova, mas recebemos sempre clientes muito antigos. E eles estão acima de tudo. São os nossos chefes. Não podemos mudar nada no cardápio sem o consentimento deles — conta.

E se a frequência já é alta em dias normais, com um aumento considerável nos fins de semana, o número de clientes se multiplica de forma incontável na Sexta-Feira da Paixão, na semana da Páscoa. Nesse dia, os católicos que fazem abstinência de carne vermelha formam fila do lado de fora do Adegão.

— Isso aqui fica uma loucura. E não consigo dizer com certeza qual a média de público, porque a cada ano recebemos mais gente. Este ano, precisamos contratar mais seis garçons para atender à demanda. Geralmente, quando o bicho pega, chamamos nossos funcionários aposentados para trabalhar como freelancers, mas esse é o dia em que mais contratamos extras — destaca Sena.

Vizinho do restaurante, o gerente se orgulha de trabalhar há tanto tempo no Adegão Português. Ele só não abre mão da filial de São Cristóvão.
— Quando abriram em Ipanema, quiseram que eu gerenciasse aqui e lá, mas não aceitei. Primeiramente, porque ia ficar muito puxado para mim e também porque não dá. Minha identificação é com a Zona Norte, adoro São Cristóvão. Desde que vim do Ceará, moro no bairro, em frente à Quinta da Boa Vista. Não saio desse lugar de jeito algum — diz.
E para tudo o que Sena fala, os sócios da casa abaixam a cabeça. Afinal, como ele diz, “antiguidade é posto”. O gerente, que se considera um membro da família dos donos do Adegão, passou por muitas fases de sua vida sob os olhos deles:
— Eles me viram chegar aqui menino, aos 16. Dois anos depois, trouxe minha namorada, que virou minha mulher e, hoje, é também mãe do meu filho de 15 anos. O Adegão e minha família são meus grandes amores.


Com informações do Jornal O Globo


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