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Especialistas alertam que roda-gigante de Fortaleza precisará de cuidados contra maresia


A futura atração da Praia de Iracema vai necessitar de uma manutenção regular, em virtude da maresia em Fortaleza
O projeto de requalificação da Praia de Iracema, em Fortaleza, inclui novos equipamentos no local, entre eles uma roda-gigante, batizada de “Óio de Iracema“, de 60 metros de altura no espigão da Rua João Cordeiro. Apesar de não sofrer com a maresia mais forte da cidade, é preciso ficar atento à manutenção devido à corrosão, alertam especialistas.


Walney Araújo, engenheiro químico e doutor em Ciências de Materiais pela Universidade Federal do Ceará (UFC), alerta que qualquer material metálico está passível de sofrer processo de corrosão por conta da maresia no local.


“A extensão da corrosão vai depender da resistência do material e da manutenção, só que a especificação adequada do material vai estar relacionada a cloreto e umidade, características que aceleram o processo de corrosão e temperatura. É importante para detectar se o meio é ou não agressivo. Existem equipamentos que são tão agressivos quanto e não sofrem degradação”, explicou o professor.


A maresia, que também é chamada de spray marinho, é a dispersão das gotas da água do mar na atmosfera. Isso acontece quando a onda arrebenta e o vento carrega esse material do mar para o continente. O fenômeno de oxirredução é a consequência dessa maresia no concreto, no ferro e no alumínio.


“É a exposição dessa estrutura no ar, que ele vai oxidando mais rapidamente, a estrutura mais próxima da costa por causa do íon-cloreto, que funciona como catalisador dessa oxidação do ferro. As estruturas mais próximas à costa vão oxidar mais rápido se comparadas às estruturas que estão mais dentro do continente, porque tem mais íons-cloreto nessa região de toda a costa”, explicou Camile Arrais, pesquisadora no projeto que estuda a partição da salinidade atmosférica do Labomar, da UFC, sob coordenação do professor Rivelino Cavalcante.


Projeto


O projeto de requalificação da Praia de Iracema é uma iniciativa da Secretaria de Turismo, faz parte do programa de Parcerias Público-Privadas (PPPs), e já foi apresentado oficialmente, mas o prazo para recebimento de propostas das empresas interessadas vai até o próximo dia 7 de março. Além da roda-gigante, um barco viking, um café, um carrossel e um museu subaquático também estão previstos.


O secretário de Turismo, Alexandre Pereira, informou que há um cronograma estabelecido. A ideia é de que os trabalhos comecem em novembro e as obras sejam entregues para a festa de Ano Novo de 2019/2020. Uma única empresa deve cuidar do local.


“Só depois de termos conhecimento da empresa que vai tocar o projeto é que podemos detalhar as etapas. Ao longo desses próximos nove meses tem toda uma parte legal de prazos, editais, chamamentos, leilão, consulta pública… E tudo inicia em 7 de março”, disse o secretário.


Gastos e manutenção


O que torna a maresia forte na capital cearense é a quantidade e a constância do vento durante todo o ano. No segundo semestre do ano, em agosto e setembro, é quando isso fica mais forte.


A Praia do Futuro, que recebe diretamente a maior quantidade dos ventos que atuam no Nordeste, registra a maresia mais forte do Brasil. A salinidade da água é a mesma em toda a costa, mas como o vento bate direto, consegue arrastar a maresia com mais intensidade para a costa. O fenômeno não ocorre com a mesma força na Praia de Iracema, onde os equipamentos serão instalados.


“A salinidade da água é a mesma em toda a costa do Ceará, mas a posição geográfica influencia. A Praia de Iracema vai receber uma quantidade de maresia bem menor porque o vento que está entrando na costa de Fortaleza vai passar paralelo a ela. A maresia vai entrar um pouco pro continente, só que a sua maior quantidade vai passar de lado, devido à direção. A posição geográfica é imprescindível nessa questão. Fica paralela à direção do vento”, esclareceu a pesquisadora Camile Arrais.
O professor Walney Araújo explica que a qualidade do material que será construída a roda-gigante depende do investimento e outras especificidades. No entanto, acredita que pelo material ficar em local com maresia forte, haja uma necessidade maior de manutenção.


“A manutenção deve ser periódica. Também vai depender da especificação técnica do material usado e condições ambientais. Alguns ambientes, que são bastante agressivos, possuem material metálico e resistem a um grande tempo sem sofrer degradação porque foi o material especificado. É preciso manter a parte metálica o mais isolado possível dessa maresia. Aí tem revestimento à base de tintas anticorrosivas, um sistema de pintura adequado, empresa registrada, que tenha experiência em fazer isso. É preciso ter uma avaliação mais correta tanto da parte de corrosão como da parte mecânica”, alertou o engenheiro químico.


Sem custos


A secretaria de Turismo esclarece que o município não vai ter custo com o projeto. “A Prefeitura não vai ter nenhum custo com nada. Ela vai fazer a concessão do espaço público, vai receber uma outorga financeira por isso e faz a fiscalização. Nesse primeiro momento, as empresas apresentam o interesse e o projeto como elas imaginam como seria o equipamento com um plano de trabalho, cronograma financeiro, jurídico, qual será a proposta para a prefeitura”, concluiu o secretário.
Fonte: Tribuna do Ceará

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