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Agentes são demitidos após fuga em massa de jovens em centro no Ceará

    Dez agentes socioeducacionais foram demitidos após a fuga de 64 adolescentes em conflito com a lei do Centro Socioeducativo Passaré, no sábado (28), em Fortaleza. A Associação dos Profissionais da Segurança (APS) denuncia que os agentes não tiveram culpa da fuga, mas foram responsabilizados pela direção da unidade. Conforme a APS, chegou a 20 o número de demissões somente nos últimos dois meses no Ceará.
A Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS) disse que os 10 socioeducadores não estavam conforme o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Os socioeducadores foram desligados do Centro Passaré na terça-feira (31), dois dias após a maior fuga registrada neste ano na unidade. Os profissionais foram chamados pela direção e informados que não iriam mais continuar no trabalho.
Um dos profissionais que foi demitido disse aoG1 que o grupo estava de plantão na unidade no momento em que ocorreu a fuga. O agente, que preferiu não se identificar, explicou que não foi possível fazer nada para evitar que os adolescentes fugissem, pois o número de internos era  superior ao de agentes. Ele ressaltou que a unidade não apresentava segurança.
"Quando fomos fazer a ronda da madrugada, nos deparamos com quatro adolescentes armados com paus e barras de ferro. Dois agentes desceram para chamar reforço, mas neste tempo os cadeados de outras salas foram quebrados e vários internos saíram. Eles tentaram agredir a gente, então não pudemos fazer nada a não ser se proteger, pois eram mais de 100 internos. Depois eles tiveram acesso à porta de saída e fugiram", lembrou o agente.
Um outro profissional, que também estava na unidade, disse que a direção do Centro Passaré havia sido informado anteriormente que poderia ocorrer uma fuga no centro socioeducativo.
"Nós achamos algumas serras nos dormitórios e informamos à direção que seria preciso fazer uma vistoria em todas as alas, mas a solicitação não foi atendida. Infelizmente estão tentando colocar a culpa das fugas nos agentes, que não têm nenhuma culpa do que está acontecendo", explicou.
Fugas e rebeliões são recorrentes
O vice-presidente da APS, Noélio Oliveira, afirmou que as demissões têm como intuito tentar penalizar os agentes pelos recorrentes casos de rebeliões e fugas ocorridas em diversos centros socioeducativos. Noélio reclama que os agentes estão trabalhando sem nenhum tipo de segurança e que as unidades socioeducativas estão em situação precária.

"Como os agentes podem ser culpados se os centros não dão nenhum tipo de proteção, nem para os profissionais e nem para os internos? Fugas e rebeliões acontecem rotineiramente e ninguém faz nada. Tínhamos profissionais com mais de 10 anos de serviços prestados e foram demitidos por algo que não tiveram nenhuma culpa. Esperamos somente que essa situação melhore, tanto para segurança dos profissionais quanto para os próprios internos", comunicou.
Segundo o juiz da 5ª Vara da Infância e Juventude, Manuel Clístenes, o número de fugas do sistema socioeducacional registrado neste ano já é maior que o de 2015. São quase 300 adolescentes fugitivos somente nos cinco primeiros meses do ano. Em 2015 foram cerca de 200 fugitivos.
Uma das maiores fugas deste ano foi no Centro Socioeducativo Passaré, de onde saíram 64 internos no sábado (28). Os adolescentes serraram as grades, quebraram os cadeados e saíram pela porta da frente da unidade.
Para o juiz Manuel Clistenes esta é a pior crise no sistema socioeducacional cearense. "Esta crise no sistema já vinha sendo anunciada, mas nada foi feito para que fosse reparado. Agora estamos vivenciando o pior momento nos centros socioeducativos, com fugas a toda semana, rebeliões e centros destruídos", indicou Clistenes.

Em nota, a STDS informou que "os 10 socioeducadores recentemente desligados do Centro Socioeducativo Passaré não estavam atuando em conformidade com o que preceituam o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)".
A pasta não comentou sobre a fuga e também não especificou os motivos para as demissões dos agentes.


Fonte: G1 Ceará
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